A Importância das Frutas e Vegetais para a Saúde Mental das Crianças

Um estudo realizado no Reino Unido descobriu que o consumo mais alto de frutas e vegetais está fortemente relacionado a uma melhor saúde mental em crianças¹.

Para verificarem se as escolhas alimentares poderiam estar ligadas à saúde mental, os pesquisadores fizeram pesquisas em mais de 50 escolas no Reino Unido. No total, quase 11.000 alunos completaram a pesquisa.

Dos alunos do ensino médio, apenas 25% por cento relataram comer as cinco porções recomendadas de frutas e vegetais por dia, 10% não comeram frutas e vegetais e 21% relatou que ingeriram apenas uma bebida energética ou nada no café da manhã, enquanto 11% deles sequer almoçaram.

Já os alunos do ensino fundamental, 28,5% não comeram as cinco porções diárias recomendadas de frutas e vegetais, 9% não comeram frutas e vegetais, 12% tomaram apenas uma bebida ou nada no café da manhã, e 11% também não almoçaram.

A pesquisa descobriu que o consumo de frutas e vegetais por alunos do ensino médio estava bastante interligada com altas pontuações de bem-estar mental, de modo que aqueles que consumiram cinco ou mais porções tiveram maior bem-estar do que aqueles que consumiram três ou quatro, que por sua vez tiveram maior bem-estar do que aqueles que consumiram um ou dois¹.

Além disso, o consumo de bebidas energéticas por crianças do ensino médio como substituto do café da manhã foi associado a pontuações de bem-estar mental muito baixas, ainda mais baixas do que para aquelas crianças que não consumiam nada no café da manhã. Por fim, foi constatado que a falta de uma alimentação nutritiva nas crianças mais novas, já influenciava em seu bem estar mental, o que é um assunto de grande preocupação.

De acordo com os dos autores da pesquisa "a diferença no bem-estar mental entre as crianças que consumiram mais frutas e vegetais em comparação com os mais baixos foi em uma escala semelhante às crianças que vivenciam diariamente, ou quase diariamente, discussões ou violência em casa".


O Papel da Nutrição na Saúde Mental das Crianças

Na primeira infância, o desenvolvimento do cérebro ocorre com maior velocidade do que o restante do corpo, tornando-o particularmente sob risco se houver deficiência nutricional.

Em adultos, estudos demonstraram que a falta de uma alimentação adequada, com nutrientes, magnésio, zinco, ácidos graxos e entre outros, estão diretamente associadas com depressão e problemas de saúde mental. A mesma situação pode ser aplicada às crianças.

Além disso, o que a pessoa ingere tem efeitos diretos em vários processos biológicos, incluindo processos oxidativos, imunidade e inflamação. Em um estudo realizado, foi observado que uma alimentação rica em gordura saturada e açúcar refinado pode influenciar aspectos cruciais da plasticidade neuronal e comportamental associada à uma função do cérebro, que afeta a memória e o aprendizado².

É importante ressaltar que uma alimentação adequada deve acontecer desde antes do nascimento da criança, pois um estudo observou que durante o último terço da gestação e no estágio pós-natal, que é quando acontece de crescimento do cérebro de forma mais acelerada, uma dieta inadequada torna a criança vulnerável. Além disso, certas deficiências dietéticas durante os primeiros 2 anos de vida, como por exemplo, iodo e ferro, criam problemas que são irreversíveis até mesmo por uma dieta adequada no futuro.

Uma boa nutrição e bons hábitos alimentares possuem um papel muito importante, tanto no crescimento saudável de uma criança, quanto em sua saúde mental. É importante acompanhar de perto do que a criança se alimenta até mesmo durante a fase da adolescência, pois nesse período ocorre o crescimento acelerado, de rápidas modificações biológicas e que requer um amplo fornecimento de energia e nutrientes.




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